RIP: Rest In Pieces

"Todos os animais são Iguais, mas alguns são mais iguais do que outros" - George Orwell, "Revolução dos Bichos"

Aos 8 dezembro de 2008, enquanto os Estados Unidos comemoravam com torpor a eleição de seu primeiro presidente negro, 145 anos após a abolição da escravatura, era aprovada pelo Estado da Califórnia lei que representaria a maior vitória já obtida no país em matéria de direito dos animais, garantindo "a todos os animais de criação  o espaço necessário para esticarem as patas e se virarem de lado sem encostar em outros animais ou nas paredes das baias". A mesma lei asseguraria, ainda, que até 2015 galinhas teriam espaço para andar e estender as asas.

Do outro lado do mundo, também a Austrália sugeriria que não fossem colocadas "mais do que quatro galinhas em uma gaiola de 46x46x46cm".

Entre o exato instante em que "nossas criações" vêm ao mundo e o sólito hábito de nos alimentarmos há uma etapa que nos foi cuidadosamente velada, onde renovamos dia após dia nossa convicção de que diferenças de pele, número de patas, ou a habilidade de falar nossa língua são suficientes para sujeitarmos os desiguais ao mais cruel tratamento, como se suas vidas a nós pertencessem.

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Mas, afinal, "A questão não é 'Eles são capazes de raciocinar?', nem 'São capazes de falar?', mas sim: 'Eles são capazes de sofrer?'" (Jeremy Bentham, "Introduction to the Principles of Morals and Legislation)

Cada passo, cada olhar, cada suspiro, guardam o sofrimento que em segundos traduz-se no cheiro de sangue que invade o ar, tinge as mãos, e, como o mais temido dos prisioneiros, detém-se nas frias paredes que nos fazem esquecer... que fomos nós.